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Cumpre-se a Maldição do Brahmana

 

Rei Pandu foi amaldiçoado a morrer se viesse a se aproximar de suas esposas para o intercurso sexual. A pedido dele, portanto, sua esposa Kunti deu à luz três filhos pela união com semideuses.

Como o Mahabharata prossegue, o sábio Vaishampayana fala do nascimento dos dois filhos de Madri, a outra esposa de Pandu, e da morte do rei. Pois o poderoso monarca, que na floresta tornou-se senhor de seus sentidos, como em outros tempos havia conquistado seus inimigos, caiu prisioneiro de luxúria incontrolável. 

Vaishampayana continuou:

Depois que Kunti e Gandhari deram à luz os seus filhos, a amável Madri, filha do rei Madra, abordou seu marido, Pandu, em lugar reservado e falou estas palavras:

– Eu não tenho nenhuma queixa contra você, mesmo que você tenha me tratado de maneira injusta. Tenho sempre recebido o papel inferior, embora por direito era para eu ser venerada. Nem fiquei infeliz ou ciumenta quando ouvi que Gandhari deu à luz cem filhos. Mas cabe-me contar a você o que me faz muito infeliz. Embora eu esteja à altura dessas mulheres, não tenho filhos! Nossa boa fortuna é que Kunti deu-lhe filhos para preservar sua dinastia. Se ela pudesse arranjar-me a possibilidade de dar-lhe filhos também, seria a maior bênção para mim e bom para você. Por causa da minha rivalidade natural com Kunti, não posso eu mesma pedir-lhe, mas se você estiver de alguma maneira satisfeito comigo depois de todos esses anos, você pessoalmente poderia convencê-la.

Pandu disse:

– Minha querida Madri, você sabe que o anseio por filhos está sempre volteando em meu coração. [Eu queria que você pedisse a Kunti para compartilhar a graça dela com você, mas] não me atrevi a pedir-lhe isso porque não estava certo se você ficaria satisfeita com a idéia ou não. Mas agora que conheço seus sentimentos, aceito pessoalmente a responsabilidade de fazer isso por você. Estou certo de que Kunti acatará minha instrução.

Vaishampayana disse:

Em seguida Pandu conversou com Kunti em lugar reservado e falou-lhe:

– Vmocê te de agir para preservar minha família e trazer felicidade para o mundo. Você é uma mulher boa, e agora, fora do seu amor por mim, tem de realizar um ato supremo de bondade para que eu e nossos antepassados jamais percamos o Pinda sagrado. Pela honra de seu bom nome e glória, execute esta tarefa difícil. Mesmo depois de alcançar soberania, Senhor Indra realizou sacrifícios, pretendendo boa reputação.

Ó amável senhora, os duas vezes nascidos conhecedores de mantras ainda empreendem árduas austeridades e servem seus gurus por honra de glória e de um bom nome. Igualmente todos os videntes santos, brahmanas e ascetas executam difíceis tarefas, grandes e pequenas por honra da verdadeira glória. Ó impecável mulher, com o barco de sua graça é você que tem de conduzir Madri através do rio de seu pesar. Compartilhe a dádiva da descendência e alcance a mais alta glória.

Assim orientada, Kunti de imediato falou com Madri:

– Você tem de pensar em um semideus, uma vez, e sem dúvida ele lhe concederá um filho com qualidades semelhantes às dele próprio.

Ouvindo estas palavras, Madri considerou a questão com cuidado, até que por fim sua mente concentrou-se nos gêmeos Ashvins, os magnânimos médicos dos planetas celestiais. Kunti então fervorosamente cantou o poderoso mantra, e os deuses gêmeos vieram de imediato e geraram em Madri um par de gêmeos.

Os dois filhos de Madri, inigualáveis em beleza, tonaram-se conhecidos neste mundo como Nakula e Sahadeva. Como com os outros filhos de Pandu, uma voz invisível anunciou os seus gloriosos nascimentos: “Estes dois meninos superarão todos os outros em beleza, força e generosidade. De fato eles são abençoados com extraordinário esplendor, vigor, beleza e saúde”.

Assim que esses nobres príncipes iam nascendo para Pandu, um ano após outro**, os brahmanas jubilosos outorgavam-lhes nomes. O mais velho eles chamaram Yudhisthira; o filho do meio de Kunti, Bhimasena; o terceiro, Arjuna. O mais velho gêmeo de Madri eles declararam ser Nakula e o mais jovem, Sahadeva.

Todos cinco possuíam grande nobreza, vigor, coragem, força e ousadia. Vendo seus filhos tão garbosos quanto os deuses e muito poderosos, o monarca regozijava-se, e a maior das felicidades era dele. Os cinco meninos Pandavas eram amados por todos os sábios que viviam nos Cem Picos e pelas esposas santas dos sábios.

Então Pandu novamente falou com Kunti, solicitando que Madri fosse permitida a usar o mantra especial de novo. Assim que eles ficaram a sós reunidos, a casta Prtha respondeu:

– Eu invoquei o mantra somente uma vez em favor dela, e ela ainda obteve dois filhos. De certo modo eu senti-me enganada por aquilo. Eu temo que Madri supere-me. Lamento, mas essa é a natureza das mulheres. Fui muito tola. Eu não sabia que chamando dois deuses fosse possível conseguir dois filhos de uma vez. Portanto, não poderia ser obrigada por você a fazer isto. Por favor, dê-me essa bênção.

[Pandu concordou.] Então todos cinco filhos dados por deuses nasceram para o Rei Pandu. Cada um deles possuía grande força, todos seriam glorificados por seus feitos heróicos, e todos aumentariam a prosperidade e influência da dinastia Kuru. Seus corpos eram marcados com auspiciosos sinais e eram tão agradáveis à vista como a lua plácida. Orgulhosos como leões, esses filhos possuíam habilidades mortais com arco e flecha.

Eles caminhavam com o andar confiante dos leões, e seus pescoços eram tão robustos como os dos leões. Eram os líderes naturais da sociedade, e enquanto cresciam para a maturidade, seus feitos heróicos revelavam suas origens religiosas. Crescendo na região sagrada do Himalaya, os cinco surpreendiam com constância os santos que residiam lá com eles. Na verdade, tanto os cinco Pandavas como os cem filhos de Dhrtarastra cresceram rápido, como flores de lotos emergindo rápido em águas claras.

 

 

   

O Nascimento de Karna
O Casamento de Kunti
A Conquista de Pandu
Gandhari dá à luz
O Erro mortal de Pandu
O Nascimento dos Pandavas

O Pedido do Rei Pandu
Filhos dos Deuses
Cumpre-se a Maldição
Vasudeva Manda Presentes