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O Erro mortal de Pandu

 

Rei Janamejaya disse:

Ó mestre do conhecimento Védico, você contou como, por arranjo do sábio Vyasadeva, os filhos de Dhrtarastra nasceram de um modo não humano e extraordinário. E eu ouvi você recitar seus nomes de maneira sistemática, Ó brahmana. Agora por favor descreva os filhos de Pandu, que eram grandes almas tão poderosas quanto o rei dos deuses. Como mencionado por você, os deuses encarnaram neste mundo investindo sua própria potência nos filhos de Pandu, portanto eu quero ouvir tudo sobre o nascimento deles, pois suas ações eram sobre-humanas. Ó Vaishampayana, narre isso! 

Sri Vaishampayana disse:

Enquanto vivia nos bosques, Rei Pandu uma vez entrou em uma vasta área arborizada que abundava em bestas selvagens e perigosas. Lá ele viu um cervo grande em acasalamento com sua corça, e com cinco flechas mortais, rápidas, de hastes douradas e plumagens bonitas, Pandu perfurou o cervo e sua companheira.

O cervo era de fato o filho de um sábio que tinha crescido poderoso pela prática de severas austeridades. Enquanto aquele asceta jovem e poderoso estava em intercurso sexual com sua esposa, que tinha assumido a forma de uma corça adorável, foi golpeado pelas flechas de Pandu. Desferindo um agudo grito humano, ele caiu ao solo em choque e angústia e, percebendo o que tinha acontecido, clamou ao rei. 

O cervo disse:

– Até mesmo os homens mais pecadores cheios de luxúria e raiva, faltando-lhes toda a razão e sanidade, nunca agiriam com tanta crueldade quanto você o fez! Seu julgamento não está acima da lei! É a lei que está sobre você! Sabedoria não combina com propósitos proibidos pela lei e providência. Você nasceu em uma família exemplar, uma família que sempre tem sido dedicada a princípios religiosos. Como você pôde ser assim subjugado pelo desejo e pela cobiça, que sua mente divergisse tanto desses princípios? 

Pandu disse:

É função de reis matar os inimigos pessoalmente em batalha, e reis são também autorizados a caçar animais selvagens. Ó cervo, você não me deveria condenar de maneira injusta. Reis são autorizados a matar cervos quando o fazem assim sem disfarce ou artifício. Você sabe que esta é a lei, por que você me condena? 

O grande sábio Agastya, enquanto situado em sacrifício, foi à floresta profunda e caçou um cervo que ele então consagrou e ofereceu a todas as deidades apropriadas. Se você deseja culpar alguém por meu ato, então é a falta de Agastya que você está oferecendo em sacrifício a Deus. 

O cervo respondeu:

Embora você cite o exemplo de Agastya, os reis por tradição não atiram suas flechas a inimigos que são apanhados em um momento de fraqueza. Há momentos muito específicos nos quais é permitido a alguém matar seus inimigos. 

Pandu disse:

Mas os reis matam cervos estejam eles alertas ou não, onde quer que eles os encontrem, usando sua força e suas flechas afiadas. Então, por que você me condena? 

O cervo disse:

Eu não o condeno por minha própria causa, simplesmente porque você estava caçando cervo. Mas você deveria ter esperado enquanto eu procriava em minha esposa amada. Você não tinha que ser tão cruel. Todas as criaturas de Deus desejam procriar, pois procriar vidas é uma bênção para todos. Que homem sábio de verdade mataria um cervo em ato de procriação? Nós queríamos procriar uma criança religiosa. Era a meta de nossa vida, e agora você arruinou tudo. 

Você nasceu na grande dinastia dos Kuru. Os reis sábios de Kuru nunca causaram sofrimento ou danos a uma pessoa inocente. Então você fez algo que não lhe é apropriado. Você cometeu o mais cruel de todos os atos, algo que o mundo inteiro condena. O que você fez não o conduzirá ao céu, nem espalhará sua fama boa, pois é a mais irreligiosa ação, Ó governante dos Bharatas. 

Ó Pandu, você sabe muito bem sobre assuntos com mulheres, e você aprendeu a verdade e o significado da lei de nossas escrituras. Ó Pandu, você que resplandece como um deus, nunca deveria ter cometido um ato tão profano! Na realidade, você é quem se propôs a subjugar os perpetradores de crueldade, os homens pecadores que não se preocupam com vida civilizada, que se esforçam por dinheiro e prazer sem considerar os direitos ou a felicidade dos outros.

O que você fez? Ó melhor dos reis, você abateu-me, um sábio simples que a ninguém ofendeu, que nada pediu dos outros. Eu vivi nesta floresta comendo raízes e frutas silvestres, sempre pacífico e amável a todas as criaturas. 

Ouça minhas palavras, Pandu! Porque você nos matou com crueldade, um casal unido no ato de procriar, eu declaro que um dia quando você estiver desprotegido, guiado por desejo, o ato de procriar certamente trará sua vida a um fim! 

Eu sou Kindama, um sábio austero sem rival. Sentindo-me envergonhado entre os humanos, eu tomei a forma de um veado e vaguei com os cervos nos bosques profundos, envolvido em assuntos conjugais com minha esposa que tomou a forma de um corça. Você não incorrerá no pecado de matar um brahmana, porque você não percebeu minha identidade. Não obstante, você abateu-me quando eu estava perdido em desejo conjugal. 

Seu tolo! Por esse pecado você tem de sofrer. Deveras você sofrerá o mesmíssimo destino, quando se deitar com sua querida, enlevados por desejo, nessa mesma situação você irá para o mundo dos mortos! E a amante com quem você se deitar nesse momento final o seguirá com grande devoção, enquanto você cai nas mãos do senhor da morte, a quem todas as criaturas têm de obedecer.

Ó mais sábio dos homens, como eu fui lançado em angústia, mesmo enquanto experimentava tanta felicidade, também você, numa hora de felicidade, virá a um fim doloroso. 

Vaishampayana disse:

Tendo falado assim, o desgraçado asceta perdeu sua vida, e naquele instante Pandu entrou em desespero absoluto.

 

 

   

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