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O Pedido do Rei Pandu

 

[Ouvindo as palavras dos sábios a quem ele reverenciava profundamente, Pandu curvou-se aos seus pedidos. Mas visto que eles estavam partindo, revelou-lhes o que incomodava seu coração, apesar de todas as suas austeridades.]

Pandu disse:

– Ó mais afortunados sábios, autoridades dizem que não há caminho para o céu para um homem sem filhos. Eu confesso a vocês todos que não ter filhos causa-me grande angústia. Acorrentado com quatro tipos de débitos, os homens nascem neste mundo por terem dívidas a pagar aos antepassados, aos deuses, aos sábios, e a outros homens – débitos de centenas e milhares. 

Conhecedores da lei têm estabelecido que um ser humano que não reconhecer esses débitos no momento apropriado não alcançará os planetas elevados. Alguém satisfaz aos deuses pelo sacrifício, aos sábios, pelo estudo e penitência, aos antepassados, pelos filhos e ritos de shraddha, e à humanidade, pela bondade.

Pela lei, eu estou livre de meus débitos aos sábios, deuses e humanidade, mas ainda devo aos antepassados, e por isso sinto dor, ó ascetas ricos em austeridades. Se um homem não deixa descendentes, quando seu corpo perece seus antepassados também perecem. Isso é um fato. 

Portanto é para ter progênie que nobres homens nascem neste mundo. Queridos sábios, mesmo eu fui gerado na viúva de meu pai por uma grande alma. Por um arranjo similar, não poderia haver prole de minhas esposas?

Os ascetas disseram:

– Ó virtuoso rei, você certamente terá bonitos filhos e crianças sem pecados, como deuses. Nós sabemos disso por divina visão. Ó tigre entre os homens, por seus atos você tem de cumprir o que é ordenado pela providência. Um homem inteligente, indesviável, desfruta de um fim feliz. Querido filho, desde que a meta esteja já à vista, você tem de simplesmente empenhar-se, e por obter filhos tão qualificados você conseguirá felicidade.

Vaishampayana disse: 

Ouvindo essas palavras dos sábios ascetas, Pandu absorveu-se em pensamentos, sabendo bem que por causa da maldição do brahmana-cervo ele não poderia gerar um filho. [Os sábios tinham-se ido, mas Pandu fixou as palavras deles em sua mente.] Ele então falou com sua fiel esposa Kunti em um local reservado da floresta, aconselhando aquela célebre mulher a aceitar o correto e necessário significado de gerar filhos em tempos de dificuldade:

– Minha querida Kunti, gerar filhos bons é o grande fundamento da sociedade, e assim é apreciado nos livros de leis sagrados. Autoridades sensatas têm, portanto, reconhecido que criar bons filhos é sanatana-dharma, um dever perpétuo dos seres humanos civilizados. A realização de sacrifício, caridade e austeridade, a cuidadosa observação de princípios reguladores – é dito que mesmo tudo isso não será suficiente para santificar a vida de um homem sem filhos.

Sabendo bem disso, eu vejo claramente que, como um homem sem filhos, eu mesmo não alcançarei os mundos abençoados. Esta é minha constante preocupação, ó mulher de doce sorriso. Ó tímida pessoa, devido à minha imaturidade, eu estava na direção cruel do brahmana-cervo, e como eu arruinei seu ato de procriação, então meu poder de conceber uma criança foi arruinado por sua maldição.

Boa mulher, eu junto minhas mãos de unhas vermelhas como pétalas de lótus e as coloco em minha cabeça em súplica, eu rogo sua misericórdia. Ó amada senhora de cabelos cacheados, por minha ordem [e como autorizado pelas escrituras sagradas] aproxime-se de um brahmana que seja maior que eu em seus votos de austeridade e gere filhos dotados de muito boas qualidades. Com sua ajuda, mulher tolerante, com certeza irei para a terra abençoada reservada para os pais de bons filhos.

Determinada a ajudar seu esposo e a satisfazê-lo, aquela amável mulher de coxas delgadas então respondeu para o seu Pandu, que conquistou as cidades de todos os reis ímpios:

– Enquanto vivia como uma menina jovem na casa de meu pai, eu era encarregada de servir os respeitáveis convidados que chegavam ao nosso reino. Uma vez eu recebi o severo brahmana Durvasa, que era tão estrito em seus votos. Durvasa sustenta poder assustador e é extremamente perigoso quando insatisfeito. Além do mais, é muito difícil entender o que o agradará ou desagradará. Fiz todo o esforço possível para servi-lo bem, e ao final o vidente estrito ficou satisfeito. Ele deu-me uma bênção e revelou-me uma série de mantras investidos de poderes místicos. Ele disse-me assim:

– Quem quer que seja o semideus que você se interesse em invocar com este mantra, ele certamente virá sobe seu controle, querendo ou não querendo.

– Ó Bharata – continuou ela –, aquele brahmana falou assim, quando eu ainda estava em casa de meu pai. Suas palavras são verdade, e a hora chegou. Ó poderoso rei santo, com sua permissão, invocarei um deus com esse mantra e então podemos ter um filho. Você sabe melhor o que é certo e verdade. Diga-me, que deus invocarei? Saiba que apenas espero sua permissão, pois estou determinada a cumprir esta missão. 

Pandu disse:

– Hoje mesmo, ó mulher monumental, você tem de agir, e pela lei! Traga até você o deus Dharma, boa senhora, pois entre os deuses ele é devotado à virtude. Dharma jamais se uniria a nós neste empenho se for injusto ou mal. Ó senhora monumental, então o mundo concluirá: “Este ato foi legítimo”. Sem dúvida, nosso filho será a grande imagem de justiça dos Kurus. Quando ele nos for dado por Dharma, o deus da justiça, sua mente nunca se deleitará em adharma, injustiça. Portanto, fazendo dharma, virtude, nossa primeira prioridade, você tem de se concentrar, pessoa de doce sorriso. Com reverência e o mantra místico, esforce-se pelas bênçãos de Dharma.

Vaishampayana disse:

Enquanto Kunti era assim orientada por seu esposo, a excelente mulher respondia:
– Assim será!

Ela ofereceu-lhe suas sinceras reverências e, com sua permissão, o circumambulou.

 

 

   

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