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Vasudeva Manda Presentes

 

Quando os filhos de Pandu vieram a este mundo, os ascetas habitantes do Cem Picos uma vez aceitaram-nos em sua comunidade, tratando-os como seus próprios filhos. Entretanto, os membros da dinastia Vrsni, encabeçada por Vasudeva, falavam entre eles mesmos o seguinte:

– Assustado pela maldição do brahmana, Pandu viajou para os Cem Picos e lá tornou-se um asceta, residindo com os sábios. Ele viveu na floresta, alimentou-se de vegetais, raízes e frutas, realizou austeridades, controlou seus sentidos com cuidado, e devotou-se por completo à meditação mística na forma do Senhor no coração. Assim o rei viveu.” [o líder Vrishni, Vasudeva, era irmão de Kunti e cunhado de Pandu.]

Os muitos guerreiros Vrishni, com seus amigos e aliados, compartilhavam um grande amor por Pandu, tanto que ao ouvirem e discutirem as notícias sobre a situação dele, seus corações transbordavam de pesar. “Quando ouviremos boas notícias sobre Pandu?”, lamentavam. Mesmo enquanto os Vrishnis a seus amigos ainda estavam aflitos, eles ouviram que Pandu, a despeito da maldição do brahmana, tornara-se pai de notáveis filhos. Todos eles então encheram-se de júbilo. Celebrando entre eles mesmos, falaram a Vasudeva estas palavras:

– Os poderosos filhos de Pandu não podem ser privados das cerimônias religiosas apropriadas. Ó Vasudeva, você sempre se esforça pelo bem-estar e pela afeição deles. Mande-lhes o sacerdote real”.

– Assim seja – disse Vasudeva, e ele mandou o sacerdote real, junto com muitos presentes apropriados ao jovens meninos. Lembrando de Kunti e Madri, ele também mandou vacas, ouro e prata, e enviou servos, servas e presentes para a casa. Quando todos esses presentes estavam prontos, o sacerdote os pegou e partiu.

Quando o Rei Pandu, que havia conquistado as cidades de seus inimigos, viu que o sacerdote real Kashyapa, o melhor dos brahmanas, havia vindo até eles na floresta, Pandu o recebeu com honra completa, estritamente observando a etiqueta. Kunti e Madri ficaram contentes e exaltaram Vasudeva. Pandu então tinha o sacerdote para executar todos os ritos religiosos para o nascimento de seus filhos, e Kashyapa fez tudo que foi solicitado e tudo que era benéfico. Ele cortou o cabelo daqueles ilustres príncipes, cujos olhares eram tão destemidos quanto o de um búfalo. Ele os iniciou como sérios estudantes da ciência Védica, e eles se distinguiram em seus estudos.

Vishampayana continuou:

Olhando seus cinco belos filhos crescerem na grande floresta Himalaya, Pandu regozijava-se, e protegia os meninos com suas próprias mãos poderosas. Uma vez, na altura da Primavera, quando a floresta estava resplandecente com novas flores coloridas, o rei Pandu começou a vagar entre árvores com sua fervorosa esposa Madri. Tão amável e sensual estava a floresta que podia encantar a mente de qualquer criatura.

A floresta amável estava viva, com frutas e flores a desabrochar, e palmeiras, esplendorosos caramanchões, manga e campaka celestial. O cenário colorido cintilava com o frescor da Primavera, rios e lagos cheios de lotos, e enquanto Pandu contemplava a floresta, o intrometido Cupido surgiu em seu coração.

Vestida em trajes brilhantes, Madri viu Pandu desportivo como um semideus, sua bela face inspirava afeição, e ela seguia atrás dele. Pandu observava sua jovem esposa, em seu fino vestido, caminhando ao longo, e seu desejo agora crescia como um fogo que arde das profundezas do seu combustível. Sozinho com Madri naquele vale isolado, Pandu viu o mesmo fogo queimando no coração de Madri, e ao fixar-lhe nos olhos amáveis, ele não pôde controlar seu desejo, pois tomara conta de toda sua vida.

Nessa floresta secreta o monarca segurou sua esposa à força. A deusa torceu-se e lutou com toda sua energia para impedi-lo, mas o desejo já o havia possuído, e Pandu nada lembrava da maldição. À força ele foi para cima de Madri no ato de amor. Como se encerrasse sua vida, o grande monarca Kuru, ao largo de seu grande medo da maldição, caiu sob o domínio do Cupido.

[Deus é dito ser a força do tempo, que arrebata todas as coisas neste mundo.] O destino, como o revelado ao longo do tempo, tanto hostilizou os sentidos de Pandu e confundiu sua inteligência, que ele perdeu sua razão e mesmo sua ordinária consciência. Ó criança Kuru, por estar unido à sua esposa, aquele mais virtuoso rei estava preso aos implacáveis trabalhos do tempo.

Abraçando forte o insensível rei, Madri lamentou em agonia. De novo e de novo seus atormentados gritos atravessaram o céu da floresta, até Kunti vir correndo com todos os cinco meninos para ver o que estava errado. Ao chegarem perto do rei caído, Madri gritou para Kunti:

– Venha aqui sozinha! As crianças devem permanecer onde estão!

Ouvindo estas palavras, Kunti segurou as crianças atrás e prosseguiu sozinha. [Sabendo intuitivamente o que havia acontecido] ela gemeu para si mesma: –Minha vida acabou! Minha vida está terminada!

– Então ela viu Pandu e Madri deitados no chão. Todos os membros de Kunti ficaram paralisados de sofrimento, e ela lamentou em dor.

– Eu sempre o protegi! – ela soluçou – e ele era um alma auto realizada e em total controle de si mesmo. Ó Pandu, você sabia que o brahmana da floresta o havia amaldiçoado. Como pôde violar a maldição?

[Tremendo de dor, Kunti dirigiu-se a Madri:]

– De todas as pessoas, Madri, você estava preparada para proteger o rei. Como pôde ser luxuriosa para ele nesta floresta isolada? O pobre rei estava sempre preocupado com a maldição. Como pôde ele ficar tão agitado pelo desejo, que viria até você num lugar retirado? Ó Madri, você é abençoada. Você é de longe muito mais afortunada do que eu; você viu a face de Pandu no seu êxtase de desejo. 

Madri disse:

– O rei foi seduzido por mim. Eu tentei de novo e de novo impedi-lo, mas ele recusou-se a retroceder, como se ele mesmo fizesse as palavras do brahmana tornarem-se verdade.

Kunti disse:

– Eu sou a mais velha das esposas deles, e se nossos anos de serviço fervoroso são para produzir frutos, então a primeira recompensa é para a mais velha. Não me faça retroceder, Madri, do que tem de vir a ser. Eu vou seguir meu senhor que faleceu. Você pode aparecer agora! Você pode deixar de ir com ele [pois eu morrerei com Pandu na pira funerária]. Cuide dessas crianças!

Madri disse:

– Eu tenho de seguir meu esposo, pois ele não retornará. Meus desejos por ele não foram satisfeitos. Como minha superior, por favor deixe-me fazer isto! O grande rei Bharata aproximou-se de mim com desejo no momento de sua morte. Como posso frustrar seu amor, mesmo nas mansões de Yamaraja? E fosse eu a permanecer neste mundo, Kunti, não conseguiria tratar seus filhos como os meus próprios.

Eu demonstrarei meu real caráter, e então, nobre senhora, o mal poderia na verdade deitar mãos sobre mim. Portanto, Kunti, você tem de cuidar dos meus meninos como seus filhos, pois você realmente pode fazê-lo. Além de tudo, o rei estava ardente por mim quando ele faleceu. Meu corpo é para ser queimado na pira funerária em companhia do rei. Os corpos têm de estar cobertos por completo. Ó nobre mulher, faça-me esta bondade! Seja cuidadosa, e faça o que for melhor para as crianças! Não vejo mais nada a ser dito.

Vaishampayana disse:

Pandu foi o melhor dos homens, e a filha do rei Madra o amou com voto sagrado. Agora aquela famosa mulher montava sua pira funerária com pressa.

 

 

   

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Vasudeva Manda Presentes