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Máximas de Acharyadeva

 

“Filosofia: apego a sabedoria. Neste sentido, filosofia não pode ser simplesmente ocidental ou oriental, porque a verdade não pode ser oriental ou ocidental. Se estamos falando de um apego a verdades relativas, então podemos dizer que existem pessoas apegadas a verdades relativas orientais e pessoas apegadas a verdades relativas ocidentais. Porém, isso não seria o sentido mais profundo e sério da filosofia porque, desde a origem, a verdadeira meta da filosofia no mundo ocidental e em Bharata Varsa, Índia, foi muito mais a de encontrar uma Verdade Absoluta.“ 

“Em relação ao filho você é o pai, em relação ao seu pai você é o filho. Assim, a verdade de que você é um pai é relativa. Assim como em relação ao inimigo você é o inimigo, e ao amigo você é o amigo. Surge então a necessidade de encontrarmos nossa identidade absoluta - o que nós sempre somos em todo lugar, em toda circunstância, em todos os tempos, para cada pessoa. “ 

“A qualificação de ser uma Verdade Absoluta seria exatamente a de não ser uma verdade oriental ou ocidental, do Norte ou do Sul, etc. O que podemos designar como oriental ou ocidental são precisamente as abordagens, os modos de buscar a verdade. Há diferentes estilos, tendências, métodos de buscar a verdade, e podemos avaliar os resultados. Srila Prabhupada dizia que uma diferença entre a metodologia ocidental e a cultura védica é que no Ocidente existe a tendência de depender mais da especulação mental, acreditar mais nos poderes do indivíduo sem ajuda de outras fontes superiores, enquanto que na cultura védica há a convicção de que existem verdades além de nosso poder.” 

“Quem está interessado em explicações está buscando Deus. Mas se tentarmos compreender Deus por nossa própria inteligência, sem aceitar a ajuda das fontes espirituais, desde o início da nossa busca estaremos supondo certas proposições sobre a existência de Deus que, de fato, não temos direito nem lógica para supor. Podemos dizer que no Universo existem entidades superiores e inferiores a nós. Para compreendermos as entidades inferiores, obviamente, nós podemos manipular, controlar, fazer experiências, como um cientista faz com uma cobaia, etc. Porém, para coisas superiores, como poderemos controlá-las se são superiores a nós? Como podemos fazer uma experiência empírica com algo superior? Neste caso, os fanáticos materialistas alegam que não podemos aceitar nada que não seja empírico. Proposta bastante irracional porque, sem nenhuma base, parte do pressuposto de que dentro do Universo, nem teoricamente, pode existir algo superior a nós. E assim, tais pessoas com problemas emocionais evidentes, estão atualmente mais ou menos controlando o nosso planeta e prestes a explodi-lo.” 

“No processo para a consciência de Krsna, nós diretamente adotamos satisfazer o Senhor Supremo Krsna cantando Seus nomes, dançando, oferecendo tudo e dedicando nossa vida a Ele. Esse amor pode atrair o Senhor Supremo. Então, se queremos dizer por filosofia uma compreensão da Verdade Absoluta, filosofia não pode ser oriental ou ocidental. Podemos falar, no entanto, de metodologia. Essa compreensão é necessária: que nós, por nossa rendição, por nosso amor, podemos compreender a Verdade Absoluta e não de outra maneira. Por lógica, por que o Senhor Supremo seria atraído por outros processos? “ 

“O que nós chamamos de leis naturais são na realidade a vontade de Deus manifestada sistematicamente, como a lei de trânsito que é simplesmente a vontade da polícia rodoviária. Lei é a vontade de pessoas e por isto existe um processo para fazer com que todos a sigam. Assim como as leis que nós temos neste mundo são a vontade de pessoas, da mesma forma as leis naturais, biológicas, químicas, físicas, são todas a vontade de Deus. Mas Deus é tão perito, tão inteligente, que não precisa de uma polícia para fazer com que todo mundo siga suas leis. Nós precisamos porque somos seres humanos limitados, mas o Senhor Supremo criou o Universo de tal maneira que a lei automaticamente age, que não podemos evitar sua ação.” 

“Todos temos uma determinada quantidade de beleza, de força, de inteligência, de riqueza, de fama, de tranqüilidade. Por acaso? Nada é por acaso. Não é científico dizer "por acaso". Ciência quer dizer saber a causa. Pela lei de Deus você teve uma vida passada, e, segundo seu comportamento, você tirou uma nota - um corpo. Se você tem um corpo belo, tirou uma boa nota. Se tem um corpo feio, foi um fracasso em seu comportamento. Pelo menos somos afortunados por sermos seres humanos. Realmente tirar uma nota ruim quer dizer cair, passar às formas inferiores, nascer como um porco, por exemplo. “ 

“Vendo o resultado de uma pesquisa recente nos EUA sobre a atitude da população referente à reencarnação, posso dizer como americano que, apesar do background de país protestante, quase sessenta milhões de americanos acreditam, e a maioria dos outros nem pensa no assunto. É óbvio que se você não aceita este ponto, é quase impossível desenvolver uma filosofia lógica que realmente explique a variedade deste mundo. Se você quiser explicar só em termos físicos, empíricos, é muito difícil porque, aparentemente entre um fator muito variável chamado "o acaso", a idéia de criar uma ciência de causalidade com fatores variáveis é quase contraditória, e a solução será a probabilidade. Mas nós não sabemos se a moeda cairá cara ou coroa. Probabilidade não é completamente científica num caso específico. É só probabilidade, não é necessidade. E se quisermos aplicar esse fator de acaso em assuntos mais complicados que moedas como, por exemplo, uma mulher que antes de procriar quer saber como vai ser a criança - se bonita, feia, saudável, doente, inteligente ou boba - o fator acaso é tão complexo que nem podemos falar de probabilidade, e isto se torna uma coisa totalmente não científica.” 

“Se eu quiser saber: por que sou como sou, por que nasci nessa família e não noutra? Se dermos uma explicação, digamos, química, que antigamente você era só um ovinho no ventre da mãe ou que você era uma alma dentro do sêmen do pai que entrou na mãe, cresceu num tipo de feijaozinho, etc., isto não é realmente uma explicação. Esta foi a reclamação de Sócrates, o primeiro filósofo muito importante no Ocidente. Antes dele houve muitos filósofos que tentaram dar explicações quase científicas sobre fatores materiais. Mas Sócrates não queria saber 'como', queria saber 'por quê'. Saber num sentido superior espiritual por que o mundo é assim. Ele não podia se contentar com uma explicação mecânica por não se sentir mecânico, uma máquina, mas pessoa, e por isso ele queria uma explicação pessoal. Eu quero saber por quê; quem me jogou aqui; por que sou como eu sou; o que eu devo fazer, por que as leis que me controlam estão ali manipulando a minha vida.” 

“Concluímos que lei é a manifestação da vontade de uma pessoa. Então as leis que ditaram, que decidiram que eu tinha que nascer nessa família, passar a vida neste corpo e ter certas circunstâncias em minha vida, tais leis serão a vontade de Deus. Mas segundo o meu comportamento prévio. Não um capricho, algo arbitrário, ou, como Einstein falou, "não posso acreditar que Deus está fazendo um jogo de azar com o Universo". Krsna, Deus, está seriamente, perpetuamente controlando as coisas. E por isso, se nós queremos liberdade séria, liberdade real e não uma farsa, essa liberdade será a liberdade da morte.” 

“Todos vamos morrer. Logo. E dentro desta prisão estamos querendo formar partidos políticos e conseguir diferentes tipos de direito, mas um prisioneiro mais inteligente está buscando a possibilidade de sair, escapar da prisão. Um pensa que uma vez que vai morrer, tudo bem, mas que antes disto gostaria de pintar a prisão, ou talvez ser eleito chefe dos prisioneiros, do sindicato dos condenados à morte. E outro está buscando a saída e sai. Então quem é livre, quem tem liberdade real? O condenado à morte que foi eleito chefe do sindicato dos condenados à morte ou quem saiu da prisão? Desta maneira devemos pensar seriamente no significado da liberdade. Morremos porque tem uma lei que diz que morreremos, que está ditando nossa morte - essa lei é a vontade de Deus. E por quê? Porque devido à nossa má vontade nós não obedecemos Sua lei e, como castigo, estamos girando neste mundo sofrendo nascimentos e mortes e muitas coisas indesejáveis. Mas se nós pudermos outra vez nos render ao Senhor Supremo, superaremos facilmente essas leis que ditam nosso sofrimento e nossa morte. “ 

“Queremos ser bons, porém é difícil ser bom, as coisas más são tão gostosas! Isto é o problema deste mundo. Pensamos assim porque unicamente não sabemos do prazer da verdadeira bondade. Não estamos falando simplesmente da piedade, da bondade mundana, mas da existência transcendental, da vida espiritual além da religião, da piedade, da bondade. Estamos falando de uma consciência transcendental que supera as leis materiais e que encontra o prazer infinito de Deus. Não pense que Deus é uma pessoa aborrecida que não tem nada a fazer, mora na igreja e... Não, Ele está desfrutando muito, prazer infinito! Krsna, Deus, possui prazer infinito e você pode fazer contato com esse prazer. Estamos falando de prazer, não simplesmente de que, já que Deus é mais importante que o prazer, então vamos esquecer o prazer e vamos ser bons - não é assim o verdadeiro prazer. Quem não está dando sua vida a Krsna é o "careta", sem prazer real.” 

“O que chamamos prazer neste mundo não é nada mais que o nervosismo de querer se destacar, chamar a atenção e admiração dos outros, desfrutar, conseguir dinheiro, prestígio. Nervosismo. Até o imperador dos prazeres proibidos, o sexo livre, é simplesmente um tipo de nervosismo de luxo. Assim como quem está precisando urinar, quando consegue uma oportunidade é um prazer. Apesar de toda a propaganda, o prazer sexual é mais ou menos algo semelhante a isto. Se faz muita propaganda, todo mundo se acha muito incrível, mas, na realidade, vendo a coisa como ela é, tirando toda a propaganda em que somos criados, treinados para pensar assim, é simplesmente um tipo de nervosismo, um fogo dentro de si, soltar este fogo e um alívio passageiro. Uma necessidade, um problema, um mal estar, uma ansiedade até poder satisfazer o corpo, ficar em paz e depois outra vez a mesma necessidade perseguindo. Isto é prazer? Em que a pessoa tem que sacrificar toda a sua dignidade, enganar, falar mentiras, diplomacia, tentar atrair o outro e depois explorar, dizer que foi amor, pagar um preço, ficar num relacionamento que não serve, uma criança indesejável... Isto é prazer? Ou é uma vida completamente neurótica, em que a pessoa nem tem a liberdade de sair na rua, livre, auto satisfeita, sem precisar de ninguém, de nada, livre. Se você precisa de outro, você não é livre. E quem é prisioneiro deste nervosismo de luxo, que segundo a propaganda moderna é a melhor coisa, não entendeu o verdadeiro prazer da vida.” 

“Nos anos 60, a revolução sexual foi justificada pelo argumento principal de que o sexo era natural. Daí houve um tipo de hipocrisia grosseira, quando o sexo livre foi justificado como um ato natural e depois empregaram-se meios artificiais para impedir a conseqüência natural do sexo, que é a reprodução. E a ciência social também comprovou que para uma criança que nasce é mais natural, mais benéfico ter os dois pais juntos. Se o sexo é natural, e se nós, ao invés de alterarmos as leis naturais, pararmos com todos os estragos que a sociedade humana criou no século XX, mexendo com processos naturais reprodutivos; se aceitarmos as conseqüências naturais do sexo, mais cedo ou mais tarde virá uma criança. Criar um sistema social no qual as pessoas que fazem sexo e se reproduzem normalmente criem famílias sólidas resulta ser tão natural, quanto o ato físico do sexo. Depois da revolução sexual, voltaram a pesquisar e estudar, e o resultado foi a maior frustração. Foi quase um tipo de bomba psicológica que criou uma geração que, segundo as estatísticas, foi a geração mais neurótica, mais susceptível a doenças mentais e físicas e que agora está tentando voltar para uma vida mais sã.“ 

“Lembrando que nós não somos o corpo, somos a alma, eu devo viver para minha alma e não para este saco biológico. O propósito da vida é ficar auto satisfeito. Um ser humano que não tem conhecimento da alma está perdendo a melhor parte da vida. A maneira real de vencer a luxúria é aprender a oferecer todo respeito às mulheres. Se os homens reverenciarem as mulheres como mães, e vice-versa, eles conquistarão a luxúria. Não se pode respeitar alguém e simultaneamente explorá-lo. E cantando Hare Krsna podemos desenvolver esta consciência de que somos eternos e que devemos buscar prazer eterno e digno de nós. “ 

“Krsna afirma no Gita (17.3) que a fé aparece em todo o mundo segundo o estado de existência determinado da pessoa. Todos terão fé em algo. Varia o objeto da fé, mas o processo de acreditar é constante em todo mundo. Se alguém disser que não acredita em nada, imediatamente teríamos de lhe perguntar: "Você acredita nisso?". E concluiríamos com: " Você acredita que você não acredita em nada; você acredita que nada vale a pena; você acredita que é verdade que você não acredita em nada". Dizer não acreditar em nada sem acreditar no significado das cinco palavras 'eu não acredito em nada', sem pelo menos acreditar que existe um significado constante e público de cinco palavras, como seria possível tentar comunicar tal conceito com tais palavras? Então, "Eu não acredito em nada" é o tipo de afirmação feita por pessoas que não têm inteligência muito desenvolvida e não conhecem muito bem os princípios da lógica e falam coisas sem raciocínio. Dentro da filosofia, uma afirmação que se auto contradiz se nulifica a si mesma, é rejeitada como uma afirmação sem sentido, sem importância. “ 

“A fé é uma coisa que atinge todos os aspectos da vida. Sem acreditar, ninguém faz nada. Qualquer ação voluntária, mesmo sob pressão, é sempre um ato de fé. É isto o que Krsna está explicando - um ponto bem sofisticado, não é filosofia simples. Aparentemente é simples, mas se estudamos seriamente o que Krsna fala, é filosofia bem complexa. “ 

“Sarvasya, para todo o mundo. Krsna está sempre usando esta palavra porque o Bhagavad-gita é relevante para todo o mundo. Krsna está explicando coisas universais - este é o valor do livro. Krsna não está perdendo Seu tempo falando coisas que se aplicam a pessoas que moravam na Índia há cinco mil anos, mas para todas as almas. Sarvasya, para todos os tempos, para todos os países, para todos os planetas, para todo o mundo. “ 

“Em Sânscrito, para afirmar, para aceitar em ocasiões sagradas, o "sim" é dito também com "om" . Alguns eruditos dizem que desta palavra veio a palavra "amém", que é uma afirmação sagrada quando você está dizendo "sim", mas numa ocasião solene.” 

“Comer é um ato sagrado porque o alimento é dado por Deus, vem de Deus. Por isto, quando você aceita alimento, o está aceitando da mão de Deus. Também porque você está recriando o corpo comendo, e o corpo pertence a Deus. O corpo é criado por Deus, é mantido por Deus e também acabará pela lei de Deus. E o corpo é destinado a servir o Senhor Supremo. Assim, o ato de reconstituir, de recriar o corpo é um ato sagrado porque o corpo é um instrumento para o serviço do Senhor Supremo.” 

“E existe a prasada, o ponto mais importante. Antes de comer, oferecemos e agradecemos os alimentos a Krsna, e por isto comemos não só o alimento que veio da mão de Deus - que fez tudo, criou a Terra, deu todas as condições e graça para que os alimentos crescessem - mas assim estamos comendo os restos do Senhor Supremo. Então, no ato de reconstituir o corpo, estamos criando um corpo espiritualizado digno de servir o Senhor Supremo. Quando comemos estamos refinando o corpo. Se você comer alimentos espirituais, seu corpo passará a ser um instrumento espiritual, constituído de elementos espirituais, e assim ele agirá espiritualmente naturalmente, segundo as leis de Deus. E o contrário, se para nós comer é um ato profano, o corpo terá a tendência a agir materialmente, sem considerar essas leis.” 

“Nós somos almas, entidades espirituais. Por isto, quando o corpo fica espiritualizado, age em harmonia com a alma, não há conflito. Toda nossa ansiedade vem desse conflito, dessa desarmonia entre a pessoa eterna, a alma, e o corpo material. Porém, como você é espiritual, você cria um corpo espiritualizado comendo prasada. Aí este corpo age em perfeita harmonia com você mesmo, com a alma.” 

“De uma maneira geral, todos podemos compreender que toda criatura é filha de Deus, criada por Ele, e que qualquer sofrimento que causamos volta a nós mesmos. Até Newton, o físico inglês, diz que cada ação provoca uma reação igual e contrária. Desta forma, se criarmos sofrimento onde não existia, sem dúvida esse sofrimento retornará a nós. É isto o que deveríamos ver - a lei de Deus.” 

“Segundo o marxismo, todo mundo deve viver bem, porém Marx e seus seguidores foram um pouco atrasados quando houve marxismo na Rússia e noutros países. Assim, esse dogma não purifica o coração, e foi historicamente provado que não funciona. A causa da exploração é o egoísmo. E o problema é colocar ideologia acima do mundo real, achar que, se "deveria ser assim" então "é assim". Srila Prabhupada sempre dizia que nós estamos apresentando o comunismo espiritual. A diferença é que nosso processo purifica o coração. Ler "O Capital" não purifica o coração. Podemos observar em toda a parte do mundo que quando os marxistas tomam o poder eles também viram egoístas e também exploram, porque não purificaram o coração. O problema está no coração, e eles não têm o processo para mudar o coração.” 

“Podemos ver que as instituições mais comunistas no mundo são famílias, porque o pai e a mãe compartilham, devido ao apego aos filhos. O problema de Marx é que ele tentou reinventar a roda. Ao invés de estudar uma situação em que o comunismo realmente funciona, ele quis criar algo que não funcionou. Numa família os pais não hesitam em compartilhar com os filhos. Por quê? Porque são os seus filhos, porque eles os vêm como seus filhos. Numa situação na qual você aprende a ver todos os cidadãos, camaradas, todo mundo como parente, então naturalmente você compartilha. É curioso ver que na realidade Marx destruiu a base do comunismo ou o sentimento de que somos todos uma família e somos irmãos, quando Deus é o mesmo pai. Falando contra a religião, ele não entendeu a diferença entre uma Igreja corrupta e a religião. Não conseguiu distinguir entre uma instituição que se dizia representante de Deus, e Deus. Assim, ele mesmo acabou com a base do comunismo.” 

“Fiz um curso de sociologia na Universidade da Califórnia, em 1967, e sociologia era a sede dos comunistas. No texto obrigatório que era o Manifesto Comunista, rapidamente vi que os heróis eram os varredores. Eu tinha trabalhado no mundo real, conhecido muitos trabalhadores e sabia como eles eram realmente. Então, a idéia de que essas pessoas salvariam o mundo me parecia absurda. Uma coisa interessante é que a cultura védica tem tudo. Para os sudras, os trabalhadores, tem comunismo, no sentido de que recebem tudo do Estado e vivem bem; para os vaisyas, classe mercantil e agrícola, capitalismo; para os ksatriyas, guerreiros e administradores, monarquia; e para os brahmanas, membros intelectuais e classe sacerdotal, tem anarquia. Na cultura védica já temos o Estado em que Marx queria chegar. 

“Se uma pessoa realmente se tornar um brahmana, não esse brahmana oficial, formal, mas um brahmana real, de coração, de consciência, não precisará de ninguém para cumprir o próprio dever. Porque tem Krsna por cima - exatamente Krsna - e rende-se voluntariamente ao mestre espiritual, que é Krsna, essa pessoa quer ser guiada. Aceita voluntária e seriamente a lei de Deus. Então, para os brahmanas não há governo realmente, pois os governos não interferiam ou perturbavam os verdadeiros brahmanas. Assim, esse Estado utópico de uma sociedade sem força, sem pressão, em que todos espontaneamente atuam bem, isso já existe na cultura védica, não é coisa futura. Porém, Marx não sabia como treinar, purificar as pessoas para que pudessem chegar ao status de agir bem, sem hipocrisia, sem enganação. A cultura védica tem a anarquia num sentido positivo, sem a violência implícita do governo porque os brahmanas já são educados.

 

(Compilação por Adi Lila Devi Dasi)

 

 

   

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